AMOR SELVAGEM

CONHECIMENTO BRUTO

À MÃO (LIVRE)

© Rodrigo Capote, 2019
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Casas de vidro são habitadas por fantasmas? Há alguma arquitetura que se sustenta por si só sem a presença de fantasmas?

“Toda estrutura é assombrada por sua arquitetura”, disse James Joyce em uma entrevista perdida. Ou foi o contrário? Nós não lembramos a ordem dos fatores, mas eles não vão alterar o produto, de qualquer forma. O que então seria a estrutura de uma arquitetura feita inteiramente de vidro? Pura e absoluta transparência talvez seja uma coisa de uma natureza que contornaria a noção de estrutura como a modernidade inventou (incluindo a arquitetura de vidro com finas estruturas metálicas, por assim dizer, também uma invenção moderna). A modernidade tentou a tese impossível (e Niemeyer foi um de seus mais ferozes defensores) de misturar estrutura com arquitetura. O clichê da casa de vidro é o objeto de evidência máximo dentro dessa hipótese tornando-se síntese. Joyce é um dos mais fortes candidatos para o papel de melhor arquiteto do século XX, também conhecido como Modernidade pura e simples. A prova dessa candidatura é que o seu Ulysses (mesmo sendo pós-moderno), é o objeto moderno mais transparente já construído.

Tupi começou a celebrar o Bloomsday desde o ano da Re-Forma da Uniflex. Aquilo aconteceu principalmente por um tributo memorial que planejamos que aconteceu um dia antes do prédio da Re-Forma decolar, e a data coincidiu com o 16 de junho. O negócio nasceu de uma solicitação do além: o vazio e silencioso prédio pediu por uma cerimônia para marcar sua pureza. Nada poderia ser mais adequado do que ter pedido que o fantasma de Joyce guiasse e presidisse o projeto e o prédio. Então, daquele dia em diante, Joyce oficialmente tomou controle do destino do Tupi. O dia de Iemanjá, dia 2 de fevereiro, aniversário de Joyce, nossa oficial efeméride de Natal. No ano seguinte, nós decidimos refazer a experiência e o convite, que partiu de ambos os lados da mesa, do e para o Instituto Bo Bardi, abrigou na última casa de vidro do casal em São Paulo, o melhor lugar e o melhor parceiro que poderíamos sonhar em ter. Todos os agradecimentos a Waldick Jatobá pela sua imensa generosidade. Aquele específico 16 de junho de 2019 aconteceu na Casa de Vidro dos Bo Bardi quando estava envolta por uma instalação artística de Lucia Koch, que compreendia uma cortina tipo um brise, multicolor e multi-iluminada, que cegava parcialmente a casa de vidro.

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© Rodrigo Capote, 2019
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A instalação artística trouxe à tona figuras de linguagem que conectavam a imagem da cortina mágica à imagem da “inelutável modalidade do visível” da voz de Stephen Dedalus das páginas da terceira parte telemaquíada do Ulysses. Ulysses é um tour-de-force em transparência. É tão transparente que se pode ver através do inteiro edifício do seu texto. A ideia de um prédio transparente é uma abordagem pleonásmica ao antigo desejo moderno de estrutura pura. Alguma coisa, alguma arquitetura onde vê-se através dela. Alguma coisa, alguma arquitetura onde pode-se andar através de suas paredes. Como um fantasma. Fantasmas são os heróis do Estruturalismo. Fantasmas são os heróis da Desconstrução. Sendo o último conceito o outro lado da mesma ideia descrita pelo primeiro conceito. Arquitetura moderna foi traduzida em linguagem comum pelos vanguardistas da teoria francesa da década de 1960. A leitura do Ulysses por Tupi é mais uma contribuição para o sonho da Modernidade. A contribuição pode ser resumida como se todos fôssemos tomar uma abordagem com fantasmas estilo mesa branca, de outro mundo, para conseguir ler todos os prédios como se fossem feitos de vidro. Bloomsday é o dia oficial para celebrar a Arquitetura Moderna. Sim, eu disse Sim.