AMOR SELVAGEM

CONHECIMENTO BRUTO

À MÃO (LIVRE)

© Leonardo Finotti, 2019
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© Leonardo Finotti, 2019
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© Leonardo Finotti, 2019
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Eu meio que gostei, mas é sem sentido, não? Colocar uma coluna jônica falsa no meio do salão! Bem, há alguma razão atrás de qualquer decisão projetual que não seja sem sentido?

A linguagem da arquitetura é circunscrita pelas ordens clássicas. Se alguém não entender dessa forma, bastaria apenas olhar com mais atenção os croquis do Palácio da Alvorada em Brasília por Niemeyer, ou o logo da FAU USP logo acima das colunas sonhadas douradas por Artigas, que são, para alguns críticos, um panteão de Taliesin reimaginado suspenso no ar rarefeito. Arquitetos não conseguem escapar da natureza da coluna dançante das ordens clássicas. Então, não é lá grande coisa se alguém aprecia mais ou menos as ordens clássicas. Até mesmo o Sr. Mies continuava sendo assombrado pelas cariátides. No outro lado da Arquitetura com "A" maiúsculo, está o que fãs menos chamam de design de interiores (há alguma arquitetura feita só de exteriores? Sempre achamos que isso era chamado de escultura!); um subcapítulo da grande Arquitetura responsável pelas coisas chamadas não-estruturais.

Essas imagens vêm de tempos não tão distantes. Designers de interiores arqueológicos como o Sr. Evans, que sozinho inventou Knossos 2.0, enquanto outros como ele inventaram o Parthenon, tudo em puro mármore RGB ou CMYK. Ornamento ou crime? O crime pode ser achado em Nashville, Tennessee, onde verdadeiros crentes do profundo Sul reconstruíram a coisa como ela realmente era, como eles clamam. Tupi foi convidado para projetar o interior de uma perfumaria e foi total e puramente clássico. As ordens ordenaram, para esse caso aqui, a categórica jônica. Seus nichos (como o nome da marca da loja) era adequada para abrigar os frascos. Seus nichos poderiam lançar as compras corretas sobre o ouro líquido. A circunferência do seu rigor geométrico: a perfeita direção para os odores dinamicamente fluírem. Ah, perfumes... essas profanações jônicas poderiam se estender como o devaneio da coluna em forma de instalação no Palais Royal em Paris. Por que não? Agora eles dizem que já que a marca se apresenta ousadamente clamando que o nome Neeche vem da ideia de nicho de mercado, depois dessa ou daquela especialidade, ou desse ou daquele produto, ninguém acredita neles. Ao invés disso, eles acreditam que o Neeche da marca veio por causa dos nichos das colunas.

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Sem sentido? Talvez não. Os perfumes são intoxicantes, não são? A razão faz completo sentido. A arquitetura não pode se render a explicações lineares. Causa e efeito não respondem racionalmente coisas arquitetônicas. O que poderia explicar todas essas casas de vidro? Se alguém pudesse perseguir uma narrativa infantil e ingênua para descrever essas casas como vidros de perfume, não seria assim tão inusitado. Projetar uma loja de perfumes como um palco de teatro como alegorias de memorabilia jônica e falsos argumentos como esse aqui tem que ser lidos como o mais genuíno dos projetos arquitetônicos. Pós-modernismo não existe mais. Não há aqui discurso implícito entre as linhas. Só diversão. Só alegria. Só follies (a mais bela invenção barroca). Esse projeto é como uma variação alegórica de uma peça musical bem séria. Um estudo do limite a que se pode esticar um determinado motivo. Até uma certa metáfora poder ser empurrada e ainda sustentar o argumento? Alguns caprichos arquitetônicos têm vivido muito bem mesmo sendo casos óbvios de quebra das barreiras sagradas das ordens. Esse trabalho aqui é algo bem próximo a isso. Uma pessoa telefonou e perguntou quem fez aquelas colunas de concreto, sendo que elas são todas feitas do mais pobre gesso disponível nas lojas de rua.